A conta não fecha: Dia de Sobrecarga da Terra

O recente dia 29 de julho marca uma passagem importante, mas nada positiva para a humanidade. Trata-se do que ficou conhecido como Dia da Sobrecarga da Terra ( Earth Overshoot Day) que, de modo bastante didático, marca o momento em que entramos no “cheque especial do planeta”.

A data registra o dia do ano em que a demanda da humanidade por recursos naturais supera a capacidade do planeta de produzir ou renovar esses recursos ao longo de 365 dias. Seria como termos gasto nossos rendimentos pessoais anuais e ainda termos 155 dias pra viver, consumir, pagar as contas, etc., quer dizer: no vermelho.

Neste ano, gastamos os recursos renováveis da Terra, três semanas mais cedo do que em 2020 (segundo o Instituto Akatu, a data foi 22 de Agosto).

Se levarmos em conta nosso caso isoladamente, Brasil, a data seria 27 de Julho, ou seja, dois dias antes da data que considera o planeta como um todo. E ainda pesa o destaque negativo, de termos contribuído muito nos quesitos desmatamento e queimadas. Mesmo em meio a uma pandemia, anomalia que, normalmente, tende a refrear os modos de vida e produção.

Segundo a organização não-governamental WWF (World Wide Fund for Nature):

“O aumento do desmatamento (43% maior que em 2020, quando 1,1 milhão de hectares foram destruídos) e a degradação da Amazônia na biocapacidade florestal mundial (estimada em 0,5%) foram dois dos motivos para a data, mesmo com a pandemia, se adiantar”.

Pegada Ecológica

A Pegada Ecológica é uma maneira de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza” , em média, para se sustentar. Quer dizer, corresponde a extensão das áreas produtivas (em terra ou marítimas) necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida.

Ainda segundo a WWF:

“Em 2019 era necessário 1,75 planeta para sustentar nosso padrão de consumo. Em 2020, com a pandemia, esse número caiu para 1,6, de acordo com a GFN(Global Footprint Network), organização internacional responsável pelo cálculo. Agora o número voltou a subir: precisamos de 1,7 planeta.  

Em 2021 a Pegada Ecológica total aumentou 6,6% em relação ao ano anterior, enquanto a biocapacidade total aumentou 0,3% no mesmo período de tempo. Apesar do pequeno crescimento, isso está longe de ser o suficiente”.

Os dados servem como mais um alerta sobre a inviabilidade de nossos modos de produção e consumo atuais e da consequente necessidade de revisão destes modos no sentido de uma reorienteração cada vez mais urgente deste processos.

O Instituto Akatu, oferece uma lista de possíveis atitudes que ajudariam, senão na resolução, ao menos na diminuição do impacto gerado por nós, como, por exemplo:

  • Reduza o seu consumo de carne vermelha: a pecuária global é responsável por pelo menos 9% das emissões de gases de efeito estufa derivadas de atividades humanas.
  • Colabore com a natureza: mesmo em isolamento social, é claro que nós ainda dependemos de solo fértil, água limpa e ar puro. Você pode contribuir para a manutenção da biodiversidade ao plantar uma árvore, cultivar um jardim ou ser voluntário em uma organização de conservação natural.
  • Reduza o desperdício de alimentos: pelo menos ⅓ de toda a comida produzida no mundo é perdida ou desperdiçada. Essa perda e desperdício de alimentos é responsável por cerca de 9% da pegada ecológica global. 
  • Só compre roupas novas se for necessário: as roupas representam 3% da pegada ecológica global, portanto, toda vez que pensar em comprar um item novo, reflita sobre a sua real necessidade dele ou prefira comprar em lojas de segunda mão. Entre outras.

Saiba mais sobre o assunto e sobre como ajudar a mudar esta data nos links abaixo:

Recomendo também a visita e inscrição no canal Mente Minimalista, onde este e outros assuntos são tratados de modo bastante prático e atencioso.

Comentários

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on pinterest