Decisões demais…

Conforme já afirmamos anteriormente aqui neste espaço, o advento da “informatização do mundo” está sendo um dos maiores e mais transformadores saltos que o ser humano já deu em sua história.

Encurtamento de distâncias, ubiquidade (capacidade de estar em diversos lugares ao mesmo tempo) virtual, agilização de transações, praticidades diversas, etc. A lista de inovações benéficas é grande e continua aumentando.

Mas tudo tem seu preço e parte deste pacote transformador acaba por se tornar gerador de diversos problemas. Alguns deles foram, brevemente, comentados aqui (FOMO, Doomscroling…).

Mas, prejudicial mesmo é o uso acrítico de quaisquer ferramentas ou serviços relacionados a informatização em geral e, especificamente, à internet. De modo que, a título de explicação, continuaremos a listar alguns dos problemas relacionados a este mundo, historicamente bem recente.

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Ora, se uma das afirmações mais interessantes associadas ao modo de vida Minimalista é a de que é preciso nos concentrarmos mais no ato de “ser” do que na prática do “ter”, estamos nos referindo a atitudes comportamentais. Modos de ser e estar no mundo mais saudáveis, práticos e menos destrutivos. Tanto no que diz respeito a nós, humanos, quanto no que se refere ao mundo, ou planeta que habitamos.

Assim, tratar de problemas gerados pelas práticas contemporâneas nada mais é do que tomarmos consciência destas, no sentido de evitá-las ou reduzi-las a um mínimo possível.

Tomar decisões, de um modo ou outro, sempre fez parte de nossa existência. Até os animais, de certa forma, mas de um modo mais instintivo, as tomam. Nós humanos, normalmente utilizamos nossa racionalidade para esta tarefa, portanto, decidir não é um problema apenas contemporâneo.

Contudo, com o aumento veloz das demandas características do nosso modo de viver atual, passamos a tratar de uma quantidade cada vez maior de momentos onde esta capacidade, tomar decisões, é solicitada. E, sim, há um limite saudável para isso também.

Trata-se do que foi denominado pelo psicólogo e pesquisador americano, Roy Baumeister, como “Fadiga da decisão”. Fenômeno que causaria a redução significativa da capacidade de fazer escolhas ou, segundo Baumeister, “diminuição da força de vontade”.

Do momento em que acordamos até o fim de nossa jornada, estamos praticamente o tempo todo tomando decisões. Que roupa vestir, qual caminho tomar até nosso destino, o que almoçar, etc. Questões inevitáveis.

Estudos sugerem que o número de decisões tomadas diariamente é da ordem dos milhares (35.000, sugerem alguns, mas não há concordância em relação a um número exato) gerando em alguns casos um desgaste mental em relação ao qual, muitas vezes, sequer tomamos consciência.

Independente da quantidade exata, sabemos quando começam a surgir dificuldades. É como se houvesse um superaquecimento de nosso motor mental. “Os melhores tomadores de decisão são aqueles que sabem quando devem parar de confiar em si mesmos”, afirmou Baumeister.

Apesar de estudos mais recentes questionarem as conclusões dos defensores da ideia de fadiga mental, acredito que todos nós, num momento ou outro, já nos sentimos esgotados em relação a estas demandas.

A boa notícia é que, ao que tudo indica, esta capacidade é recuperável, assim como, na maioria dos casos, é também o da fadiga física, devido a excessos realizados pelo corpo. Mas, um modo de vida o mais simplificado possível pode também ajudar muito.

Neste sentido, a adoção de práticas relativas a um modo de vida minimalista, sem dúvida, implicaria em uma economia considerável e, possivelmente, tempo a mais para recuperação de nossas forças, necessárias para tomar decisões interessantes referentes aquilo que realmente importa.

Um bom caminho, também, para quem se vê diante de tal tipo de exaustão, seria, em vez de tentar turbinar a performance, buscar avaliar onde está realmente tomando decisões importantes para si e onde está se buscando dar conta de demandas impostas por um modo de vida que é vendida como vitoriosa.

Seria uma espécie de ecologia interna ou o ato de avaliar onde e de que modo nosso poder decisório está sendo aplicado.

Você pode encontrar maneiras mais inteligentes e gentis de lidar com suas demandas aqui, no canal Mente Minimalista.

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